entrevistas
multimédia
entrevistas
multimédia
entrevistas
multimédia



"As Noivas de São Bento"

Comentários / Criticas:
   - Manuel da Silva Ramos - Salazar na sessão de lançamento censurou livro de Artur Portela
   - Paula Macedo - Retrato de um Portugal fechado
   - João Bonifácio - Nem noivado, nem dote, nem fortuna
   - Maria Alzira Seixo - O afogado de São Bento
   - Isabel Leal - Melhores leituras, Notícias Magazine de 13 Mar 2005
   - Fernando Paulouro Neves - Lâmina dentro da alma, Jornal do Fundão, 15 de Abril de 2005
   - Jorge Listopad - Jornal de Letras de 13-26 Abril 2005
   - Cristina Maria da Costa Vieira - nº 5 da revista …à beira, do Departamento de Letras da Universidade da Beira Interior




"As noivas de São Bento"

Salazar na sessão de lançamento censurou livro de Artur Portela

Na apresentação do livro, no Teatro Aberto, em Lisboa, a sessão foi interrompida quando surgiu Salazar para se opor à publicação deste livro, que é contra os valores da Nação.

M.S.R.

UM LANÇAMENTO inédito, aconteceu a semana passada, em Lisboa. Artur Portela já nos habituou a lançamentos memoráveis de livros seus, lembramos um especialmente que decorreu no Jardim Zoológico diante da jaula dos tigres.

Para "As Noivas de S. Bento" o escritor mais uma vez deu provas do seu vir- tuosismo formal e da sua riqueza de imaginação compondo um pequeno número teatral que foi bastante apreciado pelos seus leitores e amigos.

Foi assim. No palco do Teatro Aberto tomaram lugar a uma mesa João Rodri- gues, o editor da Dom Quixote, Artur Portela, o autor, e Artur Ramos, o apresenta- dor da obra.

Disse o primeiro que "há quarenta anos era preciso pedir autorização para se poder publicar este romance" e "que este livro faz um retrato notável de Salazar". O escritor, logo a seguir, explicou que a figura de Salazar em As Noivas de S. Bento "é porventura uma alusão, mas o livro tem a vontade de ultrapassar essa circunstância". Depois Artur Ramos ia falando da obra do seu amigo quando se ouviu uma sirene, apagaram-se as luzes e surgiram três pessoas estranhas. Duas vestidas com grandes gabardinas e chapéus pretos e um personagem mais esme- rado na sua forma de vestir: elegantemente abotoado e com sobretudo pelos om- bros. É Salazar que vem, em conferência de imprensa, opor-se a este livro pu- blicado que é contra os valores da Nação.

Num canto do palco, o autor e os seus amigos assistem como nós a um discurso arrepiante, morno e facista que nos surpreende pelo tom monocórdico e pela carpintaria da sintaxe. Reconhecemos de repente a voz distinta entre mil. E tre- memos. Fabuloso Henrique Viana na figura do ditador. Exit Salazar, Artur Portela insurge-se contra esta interpretação do seu livro levada a cabo pelo Senhor de So- bretudo pelos Ombros, que o censurou, o proibiu e o colocou no index até ao fim dos séculos e dos séculos.

Toda a gente ficou a perceber que os propósitos da literatura são mais fortes que os desígnios e as alocuções dos déspotas.

"AS NOIVAS DE S. BENTO»: UM LIVRO MISTERIOSO, GOGOLIANO E DUPLICADOR

Um homem provinciano, pobrete, filho de sua mãe, austero, depois de fazer es- tudos brilhantes, torna-se o implacável ditador de um país e de uma corte de mu- lheres armadas de chá, desejo e charme enquanto o mar também implacável galga as ruas, as cidades e ,os palácios submergindo tudo e até os botins do tira- nóide encurralado na sua solidão incomensurável. Não, não é um filme de Bunuel. É o novo livro trágico de Artur Portela onde podemos reconhecer o caso patológico do professor António de Oliveira Salazar, um ditador que subjugou tanta gente e condicionou a vida de tanto homem e mulher deste país à beira-mar plantado. Mas também podemos ir mais longe e ver neste livro a universalidade de um homem frustrado que ao contrário dos libertinos franceses do século XVIII escreve não as suas "Ligações Perigosas" mas as suas "Ligações Interrompidas".

Na verdade são as mulheres que sofrem mais neste livro epistolar constituído por 121 documentos onde o autor deles, assinando O, assina também a sua própria morte. Mas antes de chegar a essa morte horrorosamente aquática o Homem Epistológrafo terá vestido a carapuça swiftiana dando instruções rigorosas a domésticas, impondo regras sexuais invisíveis (dignas de um li- bertino à Laclos) a milhares de mulheres sedentas e aflitas, terá sucumbido como um Garoto garrotado aos encantos de uma francesa que curiosamente também é uma manipuladora de palavras, terá enfim caído no lamento poprichtchiniano (como o anti-heróide Go gol do "Diário de um Louco") invocando a mãe, mas não uma mãe consoladora mas sim uma mãe incomodativa e castradora.

Todo o livro de Artur Portela é misterioso e gogoliano e o leitor é literalmente arrebatado pela progressão paranóica das ondas do desejo e das ondas das pala- vras que o escritor soube escolher como um Mestre e que nos fazem acreditar no poder da literatura. Duplicador também porque este livro se pode ler ao mesmo tempo em dois níveis, ambos soberbos, ambos cheios de dor.

Escrito num português sumptuoso (podemos contar pelos dedos das mãos os es- critores deste país que são capazes), poético, e até num francês portelariano que pode fazer revirar de inveja os olhos dos companheiros de Oulipo, "As Noivas de S. Bento" é também um hino ao amor que toda a gente deve ler e também as gerações mais novas como antídoto contra toda a gripe castradora e fascista que entrave os impulsos legítimos do desejo.

Esta é, na sua simplicidade absoluta, talvez a obra-prima de Artur Portela onde o leitor (e porque são cartas o conteúdo do romance) imagina tudo e se imagina a si na sua total liberdade de leitor.

E mais uma vez perguntamos: quando é que os críticos literários deste país e da nossa praça dão a Artur Portela um dos lugares cimeiros (que ele merece) no panorama das letras portuguesas?

Viva Artur Portela! Vive Ia Liberté!




 
childhood cancers

childhood cancers

warm ericsson ringtone sony t637

ericsson ringtone sony t637

problem albert einstein famous

albert einstein famous

arrive family vacation in the caribbean

family vacation in the caribbean

close