|
Jorge Listopad, Jornal de Letras de 13-26 Abril 2005
Artur Portela, escritor e homem público, não é, ao que saibamos, nem platónico nem utopista. Mas alguma coisa deve ser: é humorista de fundo, é queiroziano, é civilizadíssimo. E mais: fino estilista da língua; observador de costumes. O seu último livro que li- aliás junto com a sua seminal sementeira no Jornal do Fundão -As Noivas de São Bento (Dom Quixote), seja talvez mais malicioso e melancólico de raiz, do que divertido e agressivo, esse retrato que Portela descasca e ironicamente «redime», através das cartas do locator de São Bento à sua hipotética companhia feminina. O esvaziamento do retrato e dos retratos, capta o mútuo vazio. O relógio do tempo, sem horas.
Jorge Listopad, Jornal de Letras de 13-26 Abril 2005
|